Terça-Feira, 07 de Setembro de 2010
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O futuro incerto da Minustah

Entrevista

O futuro incerto da Minustah

11/11/2009

Texto e foto André Cruz de Melo

Porta voz do braço brasileiro da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti) até julho de 2009, e atual responsável pela Comunicação Social do Exército Brasileiro, o Coronel Gerson Pinheiro Gomes admitiu em entrevista que a atuação militar estrangeira no Haiti deve permanecer mesmo após o término do atual contrato das Nações Unidas.
“O planejamento é que toda a segurança pública esteja sendo feita pela polícia do Haiti, junto com a polícia da ONU, e as forças militares fiquem somente na reserva, para uma situação de emergência”, declarou o coronel.
Em setembro desse ano, a ONU renovou seu contrato de atuação no Haiti até outubro de 2010, mantendo os objetivos de restaurar um ambiente seguro e estável, promover o processo político, fortalecer as instituições do governo haitiano e proteger os direitos humanos. No cronograma, o início da retirada das tropas terá início após o estabelecimento do novo governo, em 2011.
O militar considera que as forças da Minustah já terão conseguido estabelecer a segurança até essa data, mas acredita que outros fatores podem interferir no cumprimento da meta: “Em 2010, nós teremos, coincidentemente, eleições presidenciais no Haiti e no Brasil”, lembrou. “Depois que o presidente eleito assumir é que saberemos qual a intenção dele a respeito da presença de tropas militares no Haiti”.
Ele também afirma que a situação de segurança e estabilidade só é possível, atualmente, porque os militares ainda estão no país. Com a retirada da Minustah, essa pacificação corre o risco de ser alterada, principalmente na capital, Porto Príncipe. “Existem grupos haitianos que afirmam a existência de muito armamento escondido e dizem não utilizar porque têm militares lá”, explica.
Conselho de Segurança
O Brasil, que no ultimo dia 15 de outubro obteve uma das 10 vagas rotativas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, pleiteia uma cadeira permanente no órgão. A coordenação do braço militar da Minustah é considerada como principal vitrine do modo de atuação “humanizado” que o Exército Brasileiro e o Ministério das Relações Exteriores procuram fixar como fator diferencial das tropas brasileiras.
Sobre uma possível pressão que o Itamaraty estaria impondo ao Exército, para que esse extrapole os objetivos destinados a ele pela ONU e intensifique as medidas humanitárias, o coronel deixou entender que os interesses da diplomacia nas questões militares não devem ser descartados. “A gente tem que entender que as expressões de poder de um país interagem e estão submetidas a uma decisão política”, concluiu.



Coronel Gerson Gomes

Fonte: André Cruz de Melo