Terça-Feira, 07 de Setembro de 2010
Politic
  Coluna

17/03/2008 - por Alberto Goulart
Não a ignorância política

Temos que dizer não a ignorância política.

Podemos exercer o que pensamos, dentro do nosso conhecimento diário de vida e relacionamento, ao invés de virarmos as costas e justificar a omissão pelo simples fato de não querer investir o tempo.

Envolvimento político não é sinônimo de envolvimento com político, e caso fosse não há motivos para tamanha ojeriza. Não podemos generalizar as decepções com alguns que dizem nos representar, para com outros que fazem o possível e impossível para estarmos representados.

O analfabeto político é justamente aquele que participa de alguma maneira das atividades ou ações por ele deploradas, condenadas, reprovadas. Possui envolvimento pela omissão, inércia, ausência de ação.

Todas as vezes que falo ou ouço sobre pessoas que negam política e se dizem entendidos da vida donde se vive, lembro-me da reflexão poética do dramaturgo alemão Bertold Brecht em “O Analfabeto Político”. Veja o que diz o grande dramaturgo:
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha,do aluguel, do sapato, do remédio depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado,o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."

Este é uma daquelas antevisões que só acometem a homens da grandeza de Brecht e têm o poder de sobreviver à poeira do tempo, lembrando que fora escrita décadas antes de vários escândalos políticos brasileiros inclusive os de hoje.

Estamos numa época carente de bons pensadores, de boas atitudes, de bons cidadãos comprometidos com o progresso da sociedade. Vivemos um período de prévias eleitorais, lançamentos de candidatos e ao mesmo tempo já ouvimos o repúdio sobre o voto, sobre a chance de alterar tudo aquilo que se condena.
Estar comprometido com o avanço de uma boa política, não é somente ser político e sim participar ativamente com sua personalidade política.

A questão agora não é o “porque fazer” e sim “como fazer”.

Creio que o ignorante político, aquele desconhecedor de seus valores, é uma raça em extinção. A sociedade está mudando e aos poucos irá extirpá-lo de seu convívio. Assim lhe convido a participar, interagir, dar opiniões, comentar, exercer seus direitos de cidadão sobre a constituição que lhe assiste. Estudar, pesquisar, ler sobre os acontecimentos que discorda e/ou o qual irá emitir algum parecer, para não fazer parte daqueles que usam da liberdade inteligente uma ferramenta de cunho ideológico maléfico e retrógrado.

Penso que mencionar e aceitar a ignorância política ou cogitar-se “apolítico” é o mesmo que assinar a si mesmo um atestado de incompetência para a cidadania.



  Sobre o autor
Alberto Goulart

Cidade: Brasí­lia-DF
Atividade: CEO
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